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Grupo dos Dez, de MG, traz musical Madame Satã – Um Musical Brasileiro no Teatro Jaraguá

Andrea Possamai

Unindo poesia e uma reflexão sobre a luta de invisíveis, espetáculo dos mineiros Grupo dos Dez com direção de João das Neves (In Memoriam) e Rodrigo Jerônimo, Madame Satã – Um Musical Brasileiro, faz temporada de 12 de julho a 8 de setembro de 2019, no Teatro Jaraguá. A dramaturgia é assinada por Rodrigo Jerônimo e Marcos Fábio de Faria.

Em Madame Satã, o grupo se vale da biografia de um dos mais peculiares personagens brasileiros para dialogar com questões que permeiam a homofobia, o racismo e a homoafetividade. Com trilha sonora inédita, o espetáculo é entrecortado por textos ora poéticos, ora combativos, e traz à tona não apenas a biografia de Satã, mas dá visibilidade às pessoas invisíveis da sociedade que não se enquadraram na heteronormatividade vigente.

A trama apresenta o mundo que rodeia uma das mais peculiares figuras brasileiras, aquele: Madame Satã, uma personagem escolhida para falar de um universo invisível: a prostituição, a pobreza, o racismo, a homofobia e toda a violência de uma sociedade calada frente ao preconceito e à intolerância.

A montagem traz Madame Satã antes mesmo de receber este nome. João Francisco dos Santos, foi um dos 18 filhos de uma família pobre. Trocado por uma égua, tornou-se, a duras penas, uma figura mitológica da Lapa carioca, sendo preto, pobre e homossexual, tudo isso no início do século XX. Analfabeto de pai e mãe, como ele costumava dizer, o artista é símbolo da incorporação de elementos da cultura ocidental europeia à malandragem carioca, com claras referências às manifestações africanas.

Com preparação corporal orientada pelo bailarino e ator Benjamin Abras, a corporeidade das danças afro-brasileiras sutilmente torna-se parte do trabalho, tendo como método principal o treinamento para a capoeira angola, o samba de roda, a dança dos orixás e a dança contemporânea. Dos terreiros de candomblé e das rodas de capoeira, deslocam-se os movimentos de origem afro brasileiros de seus locais originários para o palco, dando a eles significados diversos.

O espetáculo tem direção musical de Bia Nogueira, que conduziu um processo de experimentações sonoras e improvisações de melodias, com bases criadas por instrumentos musicais (harmônicos e percussivos), assim como a elaboração de letras que contribuam efetivamente para a dramaturgia. Neste processo, foi construída a trilha sonora inédita, criada pelos atores do espetáculo.

Especialmente esta temporada traz alguns artistas paulistas no elenco.   A montagem dá continuidade à pesquisa de linguagem do coletivo, desenvolvida desde 2008 sobre os musicais brasileiros, investigando como a ancestralidade e a corporeidade negras podem contribuir para os espetáculos musicais tipicamente brasileiros.

Autor Michael Fred

Formado em Publicidade e Propaganda, Assessoria de Imprensa e Web Design, é editor do Portal Televisivo. Responsável por nossas pautas latinas, além da edição e direção de vídeos do Portal.

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