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Madonna inicia a turnê de “Madame X” em Nova York e re-inventa o pop

Reprodução / Instagram @madonna

O grande dia chegou! Na noite desta terça-feira, 17 de setembro, Madonna deu início a sua 11ª turnê cujo nome é “Madame X” em referência ao seu último disco.

Estamos acostumados a ver Madonna fazendo apresentações gigantescas em estádios colossais mas dessa vez, os fãs da diva tiveram uma surpresa. Ela quis levar seu novo trabalho para teatros e casas de ópera. Como se não bastasse, os fãs estão terminantemente proibidos de utilizar câmeras ou celulares. Essa proibição inclui a imprensa local. Por enquanto, o único registro do show é a foto acima, publicada pela própria cantora em suas redes sociais.

Mas de acordo com relatos dos presentes, a “Madame X Tour” é uma experiência única que conseguiu cativar até os fãs mais reclamões que criticaram Madonna quando ela declarou sua mudança brusca na escolha dos lugares para suas apresentações.

2.109 pessoas tiveram a honra de assistir ao primeiro show dessa nova fase da cantora. A diva de 61 anos provou, mais uma vez, que idade é apenas um número. O espetáculo começou (com quase 1h30 de atraso) com uma frase fixa no telão montado no palco onde os dizeres “Art is here to prove that all safety is an illusion [A arte está aqui para provar que toda segurança é uma ilusão]” piscavam sem parar. Enquanto revólveres tentavam mirar a platéia, Madonna começou a falar que “o maior problema da América é o controle das armas de fogo, que está afetando desproporcionalmente nossas comunidades” e de repente, a diva já estava no palco para iniciar o show com o novo hitGod Control” e uma crítica pesada à liberação de armas nos Estados Unidos. “Dark Ballet” continuou o espetáculo e tinha referências claras à época medieval com a montagem de catedrais góticas. Seus dançarinos estavam vestidos de policiais com escudos e ao final da canção eles tiraram Madonna a força do piano em que estava sentada.

Human Nature“, a terceira música do show, levou o público da BAM Howard Gilman Opera House ao delírio, principalmente quando o show se tornou um evento familiar já que suas gêmeas se juntaram à mãe para dançar e cantar. Ao final da música, Madonna esperava aplausos. E teve! Essa foi a maneira que ela encontrou de levar a frase “bow down to the Queen [reverencie a rainha]” ao pé da letra. Tivemos até “Express Yourself” a capella.

Papa Don’t Preach” e “Vogue” continuaram a apresentação com direito à defesa do aborto. Entre o intervalo dessas músicas, Madonna se sentou no palco e dois de seus dançarinos começaram a trocar sua roupa lá mesmo. Ela entretia a plateia com piadas e feitos de sua vida quando afirmou que “nunca tinha feito algo assim” se referindo ao fato de fazer um show tão intimista. “Vogue“, de acordo com os presentes, superou a apresentação da “Re-Invention Tour” se tornando, talvez, a mais icônica da carreira. Lembra muito a apresentação da MTV de 1990 em que Madonna e seus dançarinos chegaram ao palco vestidos como a realeza francesa.

Em “I Don’t Search I Find“, Madonna pega uma câmera polaroide, faz uma selfie e tenta vender para alguém da plateia. Missão cumprida! Um fã pagou mil dólares e Madonna explicou: “não estou ganhando um centavo com esse show”. A maioria dos fãs acreditaram, já que a quantidade de dançarinos é absurda se formos pensar que o palco é bem menor do que costuma ser e a quantidade de tecnologia envolvida no show também impressiona. Acredita-se que para chegar ao preço de USD 1.400,00 por ingresso, Madonna baixou, e muito, seu cachê.

O terceiro ato foi dedicado ao novo álbum. Músicas como “Batuka“, “Killers Who Are Partying“, “Crazy“, “Extreme Occident” e “Medellín” estavam presentes, mas Lisboa e a cultura lusófona também foram os centros das atenções. Madonna diz que gravou o novo disco com inspirações portuguesas. De fato, é possível ouvir o fado nos acordes e a língua portuguesa nas letras. Nesse bloco, Ciccone cantou “Fado Pechincha”, de Isabel de Oliveira, e “Sodade” de Cesária Évora. As músicas foram cantadas em português, como deve ser. Em “Batuka“, inclusive, a Orquestra Batukadeira do Cabo Verde se juntou para cantar com Madonna.

O momento de surpresa foi quando a cantora desceu do palco e começou a conversar com um fã, tomando um gole da cerveja do rapaz. Ele, emocionadíssimo, fez reverência à artista que agradeceu seus fãs leais os chamando de família. Devemos lembrar que tudo isso aconteceu no meio da plateia e não no palco.

Em outro bloco, “Rescue Me“começa a tocar. Seria a primeira vez desde o lançamento em 1991 que a música seria cantada ao vivo. Mas isso não aconteceu. Então “Frozen” inicia e leva o teatro à loucura! Uma mulher misteriosa está fazendo gestos e dançando no telão. Durante a música é revelado que a filha mais velha da cantora, Lourdes Maria, é esta mulher. Todo o teatro para de cantar e começa a gritar em êxtase. “Frozen” faz parte do álbum “Ray of Light” que foi inspirado na maternidade tendo, inclusive, uma música para Lourdes. Em “Come Alive“, Madonna realça a escravidão fazendo alusão à escravidão negra e à escravidão da globalização. “Crave” teve coreografia com os dançarinos e as gêmeas mais uma vez. Foi uma festa por quatro minutos. Finalmente, “Like a Prayer” encerra o show e Madonna se despede da plateia.

O público começa a sair do salão principal quando de repente, Madonna volta com “I Rise“. Uma bandeira do arco-íris gigante é hasteada no palco e o show se encerra com a cantora e seus dançarinos na frente desta bandeira aplaudindo a comunidade LGBT. Quando menos se espera, Madonna se despede do público descendo do palco e caminhando pelo corredor principal do teatro. Alguns fãs sortudos pegaram na mão de sua diva, abraçaram e a beijaram enquanto outros corriam para as primeiras cadeiras para conseguir uma visão melhor do que foi a despedida de Madonna imensamente grata ao seu público. Esqueçam finais de shows com “Everybody” ou “Holiday” ou “Give It 2 Me“. De acordo com os fãs presentes, “I Rise” é o melhor final de um show que Madonna apresentou em quatro décadas de carreira!

Infelizmente, “Faz Gostoso” com Anitta, que é a música mais tocada do disco nas plataformas de streaming, ficou de fora do show talvez tirando por completo as chances de Madonna visitar nosso país com essa turnê. Entretanto, a própria Madonna disse que o show não estava finalizado e não era isto que ela queria apresentar. Mudanças no setlist e no show em si podem acontecer.

Madame X Tour” é um show político, controverso, engraçado, complexo, (caro) e talvez o ponto alto de toda sua carreira. Uma reinvenção do que um show pop deve ser: popular! Com a participação do público! Nunca em sua carreira Madonna foi tão acessível quanto agora. É claro, ela é Madonna, então deve haver um limite pela sua própria segurança, mas a interação com a plateia ao nível que foi apresentada é o que os fãs sempre quiseram. No final das contas, a experiência em teatros e sem celular foi magistral e talvez essencial para a carreira da musa da reinvenção.

Autor Mateus Buzzo

Bacharel em tradução e interpretação, pós graduado em inglês, Mateus é apaixonado pelo mundo da música em geral e cinema.

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